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quarta-feira, janeiro 23, 2008

As Musas Não Morrem

Acabei de ver no G1. Dora Bria, a eterna musa do esporte náutico brasileiro faleceu estupidamente em um acidente de carro.

Chocado não é bem o termo, mas fico aqui pensando que certas pessoas deviam ser eternas. Não por quem elas são, mas pelo o que elas são. A Dora é uma das primeiras representantes da minha geração a romper barreiras e ajudar não apenas a divulgar o esporte náutico. Considero ela e o Pepê , exemplos bem acabados que quebraram o estereótipo da geração saúde, tal como era divulgado pelos conservadores da época. Além de tudo era linda, digna de um poema de Vinícius com música do Tom Jobim. De certo, ela fará companhia para eles no boteco lá de cima.

Vou ficar por aqui, pensando que ela não partiu, pois as musas não morrem.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Aborto: Você realmente já pensou à respeito?

Blog for Choice Day

Antes de mais nada deixem-me me posicionar: Sou a favor do aborto. Mas, também sou a favor da vida. Faço questão de deixar claro isso, pois aborto e vida são antagônicos. E não se trata de prioridades apenas, mas de consciência.

Concordo com o que escreveu a Lúcia Freitas em post sobre o assunto. E vou além: O aborto é a opção do machismo. Uma opção que refere sujeitar a mulher ao trauma de uma intervenção não natural com conseqüências que podem ser no mínimo de ordem emocional. Nenhuma mulher sai ilesa de uma intervenção dessa natureza.

Há muito a espécie humana precisa refletir sobre alguns direitos que a evolução lhe deu e, um deles, é se decidir sobre se quer ou não ter filhos e quando tê-los. E acredito que esta decisão não é apenas das mulheres. Ela também é dos homens. Opções mais efetivas como a vasectomia devem ter maior visibilidade por parte da mídia e principalmente, dos programas de saúde como um todo. Por que se discute mais o aborto? Não sabemos e talvez nunca venhamos à saber quando de fato a vida começa. É preciso antes de mais nada evitar o risco da concepção e as ferramentas estão aí.

Se entre os nossos valores, passamos a ter o ato sexual como forma de expressão e queremos praticá-lo isentos de sentimentos de culpa, além daquela que a moral católica nos obrigou a engulir durante séculos, a prevenção da concepção é inevitável. Que me perdoem, mas se existe risco, vou de preservativo. Não deu? O tesão foi mais forte? Infelizmente meu amor, vamos discutir se você quer tomar a pílula do dia seguinte. Não funcionou? Bem passamos à outra esfera. A do valor à vida e se de fato a queremos e temos condições de criá-la. Aí, o aborto pode surgir como opção. Consciente. Mas não como remédio para curar uma ressaca.

O ideal? Todo homem deveria fazer a vasectomia. Junto com a circuncisão iria reduzir significativamente o déficit com a saúde pública . E poupar aos jogadores de futebol muitos inconvenientes, pois afinal eles são pagos para jogar e não para pensar. A vasectomia é infinitamente mais simples (você faz no consultório e sai na mesma hora), reversível na maioria dos casos e mesmo naqueles onde não é possível a ciência oferece opções tais como a inseminação artificial. Como já escrevi neste post sobre a paternidade, ela é um esforço para o homem. Se estes motivos não forem suficientemente fortes, lembre-se que a pensão alimentícia é uma obrigação e que o não pagamento é punido com prisão. Dizem que a parte do corpo humana mais sensível é o bolso... .

Quando sou a favor do aborto? Além do caso previsto antes, sou à favor em todas as vezes em que a mulher quiser ou precisar fazê-lo. Contraditório? Não, respeito a decisão alheia. Apenas isso.

E por favor, poupem a minha inteligência, dizer que o aborto é forma de se prevenir a violência e a criminalidade é jogar fora tudo aquilo que o mundo produziu em milhares de anos de história.


Update: Fiquei particularmente feliz em ver Juno( aqui numa resenha feita pela Deborah do Ato e Efeito) foi indicado ao Oscar. Tem tudo à ver.